SENDIM EM LINHA SENDIN
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Rescaldo de l Antercéltico (Rescaldo do festival intercéltico)

2giga · 14 de agosto de 2006

Buno, bamos aqui a fazer un pequeinho resumo de l que fui l festibal antercéltico. Cousas que bos bengan a la cabeça i que bonde falar neilhas. Abinturas, l que mais gustestes, la ourganizaçon, la carreira de la lhengua, las gientes de sendin i claro Sendin.

Para ampeçar, quedan aqui ls caminos de dous bidios de Hevia que furon filmados por NEO, retratos tirados tamin por el i un testo que me mandou L Prossor Amadeu de ua pessona que cunta la sue abintura zde Abeiro a Sendin.

Bidio 1: http://www.youtube.com/watch?v=YxGtc4TIBKY

Bidio 2: http://www.youtube.com/watch?v=oeWMzWQ53Eg

Retratos: Ber aqui

Abraços

148 besitas ne l sítio de anton


3 repuostas

2giga outor 14 de agosto de 2006

"De Aveiro a Sendim: bamos a biajar

To la manhana busquei ua sílaba.
Ye pouca cousa, ye berdade: ua bogal,
ua cunsonante, quaijeque nada.
Mas faç-me falta. Solo you sei
la falta que me faç.
Por esso la buscaba maluqueiramente.
Solo eilha me podie çfender
de l friu de janeiro, de l´alfa
de l berano. Ua sílaba.
La salbaçon.

Eugénio de Andrade, Ofício de Paciência.

Busquei eu neste poema, a inspiração para umas palavras sobre uma viagem a Terras de Miranda.

Abalamos na sexta, já tarde na manhã, eu em vantagem em relação aos outros dois companheiros de tão longa jornada, por conhecer de há muito, tão sinuosos caminhos.

Primeira etapa de 170 km (Aveiro-Celorico da Beira) na famosa A25, sem qualquer interesse, na minha opinião, mas servindo para "encurtar" tão longa viagem.

Deixada a auto-estrada em Celorico, e sendo já horas dos estômagos reclamarem o conforto, fomos avançando em busca duma boa sombra para degustar as iguarias dum piquenique.

Surgiu-nos Trancoso, com o seu castelo e cidadela, onde não achamos muita graça ao trânsito automóvel a ocupar as ruas, que de tão medievais, só lá imaginamos os cavalos, as carroças, os burros ...

Agosto, dia de feira e temos (imagino eu ) uma pacata vila, transformada numa buliçosa terra multicultural com uma mistura de idiomas com que os emigrantes em férias, nos brindam todos os anos neste mês de calor e de saudades.

Algum tempo depois, voltamos ao caminho que nos levaria à próxima etapa, em terras do Côa, a agora famosa vila das pinturas rupestres. As ruas, a igreja, o pelourinho, as gentes e os inevitáveis refrescos numa esplanada para poder continuar a viagem. Os bolos de azeite ainda não lembravam, pois o almoço era ainda recente.

Calor qb, 5 km de curvas sinuosas em descida acentuada até ao Douro, em quantidades mais que generosas e eis a receita para desejar chegar depressa a terras de Miranda.

Para quem aqui passa pela primeira vez, não é esta a melhor época para admirar este vale grandioso. Na Primavera sim, com o manto branco e rosa das amendoeiras em flôr, apetece prolongar o caminho que agora se deseja fazer de um salto.

Pocinho, é barragem e ponte, e para lá do rio e dos montes, Moncorvo é agora uma vila mais próxima pela estrada melhorada, parte dela feita deliciosamente na margem direita do Douro.

De Moncorvo a Mogadouro, adivinham-se as aldeias nas placas das margens da estrada:

Freixo de Espada à Cinta, Lagoaça. Meirinhos, ...

E vou eu recordando as viagens de há vinte anos atrás... que me fizeram render a estes sítios...

Pouco movimento apesar das férias, por isso a viagem se faz calmamente admirando a paisagem um pouco árida e monocromática no tom amarelado do restolho e de algum verde da vinha, e da oliveira.

Avizinha-se Castelo Branco, a aldeia que sempre me anunciou Mogadouro quando ansiava pela chegada.

Avista-se ao longe uma vila grande sempre com novo casario de cada vez que aqui volto e com as ruínas do que resta do Castelo, onde tantas vezes, me deliciei com a paisagem a perder de vista, com a leitura dum livro ou a conversa com amigos à sombra da "árvore"...

A Avenida da Nossa Sra. do Caminho engalanada de Festa (aliás como em todas as vilas e aldeias que visitámos), abriu-nos a porta do Planalto. Uma bebida no café Montanha, embora já não com a "indumentária" da época, para eu matar as saudades contando com a simpática cumplicidade dos meus companheiros de viagem, fez-nos voltar as forças para a última etapa.

A dormida estava marcada para a aldeia fronteiriça de Bemposta.

Cerca das 19.00 h, um banho reconfortante devolveu-nos a genica para uma primeira noite de música celta.

Sendim em Festa, assim recebe os forasteiros, igualmente portugueses e espanhóis, aqui arribados com um sentido comum, a FESTA celta. Passado pouco tempo apercebemo-nos que o festival que celebra esta cultura cabe aqui por excelência. Nas ruas, nos cafés o ambiente é de festa. Ouvem-se tamborileiros, gaitas de foles, flautas e o bodhrán; ouve-se o galego e o português. o castelhano e o mirandês. Misturam-se as gentes da terra, com os que vêm para a festa.

O festival é ao ar livre num recinto vedado com um palco bem apetrechado e umas barraquinhas com algum artesanato da região, livros e cds, comes e bebes...

Começa a música com Célio Pires, um tamborileiro e tocador de gaita de foles, natural de Constantim (Miranda do Douro). Imediatamente nos sentimos contagiados e nos apetece dançar; percebemos que estamos ali para celebrar a música, a boa disposição, a alegria. O calor ao contrário do que se fez sentir durante o dia não chateou. Muito vento mesmo, o que também não estragou a noite, pois depois de dançar um pouco, logo ficávamos quentes.

No intervalo sai-se do recinto e voltamos às ruas onde as pessoas vivem a festa. A noite está agradável, e espera-nos ainda um grupo de Castilla/ Léon , Hexacorde, e os irlandeses Lúnasa.

Com o grupo espanhol voltou a vontade inevitável de dançar. Não precisamos ser bailarinos; quando se sente a música, o corpo obedece ao ritmo e solta-se na noite ao sabor dos sons.

A hora avança e os corpos vão também ficando cansados, pois a viagem de 300 km também pesa.

Os Lúnasa são um pouco diferentes. São nitidamente os sons da Irlanda com o Fiddle (o violino) e o Bodhrán a marcar o ritmo. Há canções melódicas um pouco nostálgicas e outras bem mais alegres e mexidas que lembram as danças tradicionais da ilha e que nos fazem pular. Mais tarde, no fim deste espectáculo no parque das eiras, haveria mais música desta vez duma forma informal, na taberna dos celtas. Em outros anos acabei as noites esgotando as últimas energias, neste local divertido, onde também se aconchega o estômago noite dentro com um caldo verde e um copo de vinho, um pão delicioso e umas azeitonas. Desta vez o cansaço era mesmo muito. Como bons companheiros de jornada todos concordamos, sem ser preciso negociar, no descanso merecido e lá fizemos os 12 km que nos separavam de Bemposta, devagarinho com a llhuna, quase cheia, a iluminar divinamente o planalto. Bem me custou umas piadas dos meus companheiros, o facto da lua não estar completamente redonda; é que todas as outras vezes que havia estado neste festival me fascinou o luar da lua cheia, que por isso mesmo tanto lhes prometi neste passeio. Mas lá consegui que me perdoassem…

Chegados à cama, a noite soube a pouco para tanto cansaço.

O sábado amanheceu quente e saímos rumo a Miranda do Douro, já perto da hora do almoço. Os 30 km que separam as duas terras raianas, fez-nos apreciar a paisagem e sentir o calor tipicamente transmontano dos três meses de inferno que se seguem aos nove de Inverno, se é que ainda se cumpre o ditado… Mas que era calor era!!!

Visitamos a vila, a muralha, avistamos o Douro que divide Portugal e Espanha.

A fome apertava e lá encontramos um restaurante, onde nos recebem com palavras em castelhano. Pensamos que a empregada fosse espanhola, mas afinal julgou-nos ela espanhóis pois quando falamos em português passou ela a ser portuguesa. Mas porque razão no nosso próprio país presume que somos estrangeiros sem antes averiguar qual a nossa nacionalidade? O normal será presumir, por defeito, que somos do país que recebe, ainda que contra todas as aparências, e dizer um BOM DIA em bom português. E eu sei do que falo. É-me cada vez mais desagradável ser tratada por estrangeira no próprio país…

O almoço não foi famoso, mas matou a fome. Depois do café para acordar um pouco mais, visitamos a catedral, um grandioso monumento onde não podemos deixar de apreciar o Menino Jesus da Cartolinha, e a sua colecção de roupa onde destaco as lindíssimas capas mirandesas.

Abstenho-me nesta crónica, de falar da história de cada monumento ou estórias das várias aldeias ou costumes. É apenas um relato do que aconteceu, e se a algum "leitor" despertar interesse não é difícil

satisfazer a curiosidade dada a facilidade de informação disponível.

Voltamos a Sendim .

Pelo meio da tarde, preguiçosamente instalados numa esplanada, conversando e comentando as notícias do jornal, fomos surpreendidos por um grupo que se aproximou com uns buonas tardes, perguntando se tínhamos percebido a saudação em Mirandês.

E continuaram, brindando-nos com Cuntas, Lhonas e Lindainas nessa outra língua portuguesa. Lá conseguimos perceber quase tudo, e aguçar o apetite para a oficina de la Lhengua, que de seguida Amadeu Ferreira, faria no salão da junta de freguesia.

Muita gente, o calor e o cansaço, fizeram com que tivéssemos de redobrar o esforço para conseguir receber informação tão interessante. Mas o orador foi excepcional e durante mais de duas horas, não parou de nos brindar, em Mirandês, com a história e evolução desta língua, e com tudo o que com ela se relaciona. Excepcional e imperdível, na minha opinião, conseguindo despertar-me o interesse sobre estas cousas.

No café da Gabriela, famosa pela posta mirandesa, saboreamos um caldo verde, acompanhados de música ao vivo, pois na mesa ao lado três músicos partilhavam os sons da gaita de foles, das flautas, e do bodhrán.

Aproveitamos depois o ar da noite na escadaria da igreja, no largo da praça, cheio de gente em amena cavaqueira e esperando uma banda de gaitas e tambores de Múrcia, que conduziria os festeiros até ao Parque das Eiras onde começaria o concerto da noite de sábado.

Mielotxin (Navarra), Berroghetto (Galiza) e Hevia (Astúrias) foram os grupos que actuaram.

Muito mais gente no recinto. Ouvem-se muitos espanhóis que parecem ter vindo por conhecerem os grupos dada a forma como os "aplaudem". No total não foi tanto ao meu gosto como na noite anterior. Estes grupos eram menos "puros" com uma mistura variada de instrumentos, muitos deles electrónicos. Na verdade não puxava tanto para dançar. O que mais se prestou a isso foi o Hevia, o único que conhecia. No final ainda tivemos energia para pular bastante ao som da gaita de foles. Mais uma vez não nos sentimos com coragem para a taberna dos celtas, e abalámos, já madrugada, até Bemposta.

Mais uma vez o cansaço venceu, e o sono aconteceu logo.

Domingo de manhã, tomamos calmamente o pequeno almoço, conversando com a nossa "hospedeira", uma linda mulher natural de Bemposta, simpática e acolhedora.

Rumamos a Mogadouro onde planeamos almoçar n´ "O Lareira" a famosa posta mirandesa. Chegados cedo demais para o almoço, subimos até ao castelo, com um calor abrasador onde avistamos a paisagem, vimos as ruínas, recordei as minhas histórias e tirámos fotografias.

Já com alguma fome entramos no restaurante; apesar do calor exterior e da lareira acesa a sala de jantar tinha um ambiente agradável. O mesmo cozinheiro, o mesmo empregado de mesa de há vinte anos, os mesmos cheiros os mesmos sabores. É por isso que ali volto sempre…

Pedimos uma posta e um osso buco; pena não estarmos em Maio, pois não faltaria a deliciosa salada de meruges temperada com o azeite de sabor a terra.

Estava deliciosa a posta e os meus companheiros adoraram. Também o osso buco estava óptimo. E não faltou a charlotte do costume.

O café foi no Montanha, para a despedida. Umas fotos ao Trindade Coelho e lá abalamos rumo a Aveiro. Primeira paragem, Moncorvo, onde ficou uma das companheiras.

Aí abastecemo-nos novamente de água fresca, que o calor era mais que muito e viagem de regresso a parecer mais longa que a que nos havia trazido até ao Planalto.

Nas calmas lá fomos e fizemos um pequeno desvio para entrarmos em Marialva. Havia estado lá, há 13 anos, e na zona da muralha na altura quase só havia ruínas. Fiquei agradavelmente surpreendida com a recuperação que foi feita. Imensas casa recuperadas , casinhas do côro que funcionam como turismo rural. Não gostei da casa que serve como recepção às visitas ao castelo; parece não se enquadrar na paisagem, mas talvez seja propositado para marcar a diferença do que é novo.

Mais uma paragem no café desta aldeia seguindo daí caminho até Celorico da Beira. Não visitámos a vila pois o calor e o cansaço daí decorrente era demasiado. Ficamos novamente pelo relaxe num café ingerindo mais uns dl de água fresca.

A partir daqui começava a A25, novamente a estrada sem interesse a não ser o de nos devolver a casa duma forma mais rápida. Bastante trânsito e com toda a gente muito apressada. Lá viemos calmamente conversando, e ao fim da tarde entramos em Aveiro. Exaustos mas felizes pela "aventura", e da minha parte com vontade de lá voltar, sempre e sempre.

Desde Aveiro, 72 horas depois do 7º festival intercéltico de Sendim.

Hortense Tavares"

pedmore 14 de agosto de 2006

Biba Sendim.....
Mais um Festival Interceltico por Sendim passou e com ele marcas deixou.
Começando pelos Lunasa e acabando pelos Hevia, passando pelos Hexacorde, Mielotoxim e Berrogueto, foram estes que a meu ver deram ao Festival melhor qualidade e diversidade de todos os Festivais (o que não é fácil).
Um grande agradecimento a todos aqueles que por vontade própria e paixão se dedicaram a realização deste Festival que sem eles nada disto era possível (pelos quais sou fã), a todas as associações e em especial ao Sr. Mário Correia pela dedicação e divulgação da cultura Folk e pela excelente forma como a transmite. Esta que cada vez consegue adquirir mais adeptos (confesso que já sou um).
Uma tradição a manter
Lunasa em 2007

caminho prado 20 de janeiro de 2007

(Nota: já vai tarde q.b., mas escrevo na mesma, quanto mais nao seja para relançar este tema, ao qual voltarei sempre que for pertinente).

FIS 2006 - Interfolk Nº 2006 (especial)

"Tal vez sea el de Sendim el festival internacional más representativo del país vecino en lo que a música folk se refiere. Al frente del mismo, su director Mário Correia, responsable a su vez del Centro de Cultura Tradicional Sons da Terra en tierras de Miranda, lucha cada año por llevar a tierras portuguesas lo que considera como más representativo de la música folk actual, allende de sus fronteras. Ni que decir tiene que la presencia de artistas españoles está más que nutrida cada año, dada la cercanía a nuestro país de la ciudad (sic?) de Sendim y de los lazos culturales que unen a las tierras portuguesa y española a ambos lados de la frontera. Sendim se erige cada año como catalizador de una muy concurrida audiencia que respalda y responde a la calidad de la propuesta musical ofrecida en cada edición."

Ação concluída.
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