“Ora porque chegou la segada, e ya passau la monda, e vai a benir la trilha” a muitos esta tradição dirá muito, a minha geração ainda diz algo, aos mais novos nada dirá.
Acho que este tema é um complemento do anterior. É importante compreender e olhar para os ofícios do passado, e olhar para as profissões do presente, e ver o que ainda perdura.
Ligado a estes ofícios existem tradições, ainda se mantém algumas, outras já caíram em desuso. “Ye importante falar en segada, en monda en trilha, en vendima, en pisar en sterfogar en zgalha, en poda, en cabar e arar, en sembrar, en acarriar e en tornageira. Falar tamim en outros oufícios qe num esteiem ligados a la lavoura, como filar, tecer, sapateiro, alfaiate , e en pisoneeiro, en tintureiro, en marceneiro, en ferreiro, en latoneiro, en pedreiro, en molineiro, en talhante, en tabarneiro e panadeira, an pastor, tamin en contrabandista e passador". Falar deste passado e recordar, “e recordar é viver”.
É importante deixar um museu onde ficassem as tradições e ofícios mais representativos, que ainda não se encontrem expostos em outros locais, é também uma ideia.
15 repuostas
almendra 6 de julho de 2006
A Associação de Desenvolvimento terá forçosamente que ter uma secção que tratará do que aqui propões e que é importante. Para não nos dividirmos é imperioso que todos colaborem e que todas as ideias sejam pelo menos devidamente ponderadas. Entendo que cada um deve dar o seu contributo naquilo que é mais capaz. Proponho pois que quem estiver de acordo com esta ideia que dê o seu contributo, não só em disponibilidade para trabalhar como em termos de ajuda cientifica.
Sendim precisa cada vez mais de todos e não nos podemos dividir.
Há projectos em andamento que estão já a ser travados.
Temos que estar atentos e eu logo que tenha provas concretas irei até às ùltimas consequencias.
Sendim só não está ainda melhor porque temos sido sempre travados.
Chegou a hora de fazer renascer o espírito dos que tanto lutaram.
Ana Maria F 7 de julho de 2006
O museu de que falas, Francisco, já o podemos começar a fazer com palavras: contando, explicando, evocando, lembrando... fazendo, em suma, reviver o Passado! Claro que é importante compreender o que foram as artes e os ofícios do Passado para melhor compreendermos finalmente este Presente em que vivemos agora. Esperemos que participem todos aqueles que sabem e que gostam generosamente de dar a saber. Eu sou uma que certamente sabe muito pouco mas que precisa de saber mais: por que será? Mas já deste uma resposta, Francisco: “Recordar é viver!” e isso é bem verdade!
francisco outor 7 de julho de 2006
O debate deste tema acho que dá pano para mangas, e cada um pode falar das experiências que as suas famílias viveram (artes ofícios e tradição) e o que isso implicou para eles e também para nós, porque alguma ou bastante influência teve - penso que pode haver uma ligação do passado com o presente e também para o futuro.
Penso que esse foi um passado com alguma miséria mas alegre com muita luta. E era essa alegria que seria necessária para ressustitar os nossos antepassados, e deixar-mos a memória deles imortal. Sei que muito se fala e é preciso actos, mas não é como alguns querem fazer crer - mas a unidade de todos é precisa.
José Manuel Carção Angélico
BengaCafe 7 de julho de 2006
Eu ainda sou novo, mas lembro-me perfeitamente de ver as eiras cheias de burnais e as trilhadeiras... Eram outros tempos. As coisas mudaram, falta saber se foi pra melhor. É verdade que o trabalho está muito mais facilitado e ainda bem, pois antigamente pra regar a horta era um dia inteiro e hoje em 2h rega-se uma horta. As vinhas passaram a ser lavradas com tratores e onde nao vai bota-se o remedio e ta a andar. Há coisas boas e há outras menos boas. Temos de saber viver com estas mudanças. Mas é uma boa ideia zé, mais uma das tantas que se tem escrito neste blog. Agora é preciso começar a trabalhar. O que eu puder fazer é só dizer... Saudações Sendinesas
santyago 10 de julho de 2006
Bom tradiçoes, artes e oficios... algumas passam e outras ficam.
Eu mal me lembro de certos oficios, mas penso ainda sou do tempo da trilhadeira, mas ja so me lembro do final quando acabou... que ja la vao uns anos.
Outras tradições desapareceram, muitas nem as conheci. Isso acontece devido à evoluçao tecnologia que temos e felizmente que assim é. Tudo o que seja de inovaçao é bom, ou quase tudo!!! Inovaçao é sinonimo de avanço, de melhoria e de progresso. E neste ambiente não se enquandra a continuaçao de certas tradições ou oficios, mas a recordação desses seria bem visto aos olhos de todos nós. Pra todos podermos conhecer as cousas dos tempos antigos.
Eu ja nao sou do tempo do sacho... bom penso que o sacho ainda se mantem, mas eu e ele nao nos entendemos la muito bem. Tenho analisado bem a questao até ao infinito pormenor e nao encontro solução... eu prefiro andar em cima do tractor, apesar de nao ser coisa que ligue muito, mas sempre se "anda a cabalo", penso que será melhor!!!
Bom o tema "francisco", bem abordado!
Força aí e boa continuação.
BIBA SENDIM
Abraço Nuno Santiago.
francisco outor 13 de julho de 2006
Stórias del Baiunco que you oubi quando era garotico. Por alturas deste timpo apuis de benir de regar las hurtas ou de l´as binhas ou de outros sítios, els tius iban-se um rato pal puiales a falar el que le tini passado na quel di ou en outros timpos. Gustaba de ouvir a tiu Abilío Ceitano contar l´as sus abenturas pur Sevilha no timpo de la gerra cevil Spanhola, e a tiu Alfredo Bergino stórias de feiras e de sapatos, e a tiu Jesé Gingo de la vida de l´a França e de contrabando, e a esto ye que you le botava sentido. Contava tiu Jesé Gingo que num fui acasado mas passou por alguns calafrius como todos.
Calhau-le una veç tener que se meter em dentro du casa de morada, la dunha guardou-lo e encubriu-lo e le home delha ye que num gostou muito. Autras vezes teni que deixar el cuntrabando por onde teni andado a trabalhar durante el di.
Mas els maiores sustos que dezi que apanhava era nas nuites de luna chena. Esto por que vi causas selombras de pedras e de arbeles que en outros dies num se bin.
Um di por que passava el riu ou nas canaleiras ou en recobelho ou no corso mas era ralo po li. Ya iba po riba de faia bintureira e bei um bulto a poucos metros del que pareci um home, pensou lougo para el "ye un Carabineiro", diç que quedou mais friu quel gelo - "e quedei por momentos que nim una statua" até que biu que era un calhau que fazi la marcacião de daus adiles, "ya teni passado alhi tanta veç e nunca teni reparado".
Outra veç e tamim en nuite de luna chena, a la punta de baixo del Baiunco naquelhas curraladas que ainda aí hoje, el moraba alhi, e o po la borda de loutro lado del camino onde staba el Cachão botambam el dunhos de las curraladas palha que num le cabi endrento. Nesse di un guarda que el num gustaba muito, ya andava dulho nel fizo-le una spera mesmo en frente a la purta mas de loutro lado de la ru en riba de la palha - so dou por elhes po vias de la selombra. El simpre beni por detras de l´as casas po las curtinas. Quando ainda no scuro bei dus selombras elhes staban custas volto para riba, "e eram aquelhes bandidos, tube que angatar pula parede pula parte detras, dsetelhei el telhado e antrei para casa stube a spreitar pul burraco de la fechadura e stubiren alhi mais três horas de pi quito spera de mi". Gustava de lá stória que tiu Alfredo cuntava passada en San Paulo na curtina de tiu Fosco. Den riba duna peinha tiu Torrão dou-le una toriadela a un Gurda Físcal tubelo três horas a correr a traz dun contabandista que nin staba alhá, era de scachar las piedras a rir. Tamim cuntaba outra stória de tiu Paxareiro vilho cum cantaro de azeite e foucins. Era esto todo que se fazi en timpos arriscando la bida para num ganhar nada.
francisco outor 15 de julho de 2006
You gusto de la cegada e stamos no timpo, you gostava de cegar e ainda me tocou, mas pouco. Purmeiro andava a tirar espias para fazer el vencelho para el que ataba, apuis andaba no meio de la staia cum suco que se conheci simpre pol meio, porque segava mais alto e deixaba espias por apanhar. Miu abó no die de fazer els rolheiros dezime la burra negra sabe el sitio cierto por onde tu andeste e liba la barria chena de espias. Ainda chegei a cortar els dedos porque num usaba dedales, e lebar picones de gatunhas que staban pol meio del trigo.
Mas tengo dus stórias que nunca squecerei, miu abó andaba simpre de rabão(el que andaba no fim), um die no fim de una tiera pusu-se a maniguero(el que andaba pola frente) pos diobos els outros quede-mos al meio de la staia, ele sempre dezi que era la causa que mais gostaba de fazer, chegou andar quaije daus meses seguidos a segar an timpos tanto por Dues Igreijas e Zenizío. Doutra beç butei me you solo a carregar un carro de pan, e las causas furan salindo, butaba meia duzia de manolhos e amanhaba-los, e las causas furen correndo até al fin dels espios de las canhiças. Apuis ya abaixaba mal, e el carro staba alto e começou a quedar anclinado para un lado, el que resoltou ye que las mulas nin del sitio saliran col carro, zbarrulhou-se e you quedei no meio dels manolhs, e no fin e ainda me slomboron por riba. Esto porque naide me mandou poner a carregar el carro - cuntas de la bida.
Ainda me lembro dels dzaiunos lougo de la manhana que se comim a la selombra dels bornales. Onde uns e outros andaban al desafio a ber qual fazi el bornal maior, a ber qual tenia la semba de palha maior e claro mais sacos de pan. No die del acarrei de la palha andaba simpre ancalcarla palha tanto no carro como no palheiro, andaba simpre cheno de munha.
francisco outor 21 de julho de 2006
Buno bau a falar en ir al monte. Hoje nesso yá num se pensa, mas datrás esse era una causa de prumeira necessidade. Tol la gente teni el sau adil ou mais q´un para tirar la su cargita de leinha, e quin nuls teni, toca a saber deilha nin que tubisse que la roubar, ou ir pal lugares de fura a saber deilha. Cuntaban mius abós que grande parte del que bemos oije estari rapado de arbeles e de arbustos mais peqeinhos en su maiori. El lume tanto era aceso no invirno como no berano.
Cuntaba miu abó qe en timpos iban palas Anculas a leinha, este lucal you nun sei sequira onde ye. Neste sitio teneria que se abaixar por una curda assi cumo tamim sacaban els feixes, e subin por essa curda. Pula descrison del lugar abi de ser nalgun desfaideiro a caier pal riu, por essas arribas. Outra causa mui anportante de oubeserbar ye que pessonas de vários lugares tenen oulibeiras en Sendin. Dizen e you num dubido, que en timpos se trocau oulibeiras por leinha. Que you tenga conhecimento aí gente de Trabanca Pradaton e Funte Aldé com oulibeiras en Sendin. Tamin oubi falar algus bezes, que habi un tiu de Brenhusino que teneria feito la sua bida, ou que se dedicaba a traer cargas de leinha prá bender en Sendin. Este tiu ainda num aí muito que desapareciu, i era tiu Ganga de Brunhusino. Trairi leinha até por bulta dels anhos cinquenta ou sessenta, porque a partir daqui la bida mudou e haveri menos gente. Sendin ainda oije ye scasso en leinha, porque ainda se bei carradas de rachones a bender na praça e la maior parte de la gente tem que cumprar leinha pa queimar.
Mas haveri gente que iba mais longe a saber de leinha, iban palas sirras de la Castanheira e de Palaculo, de Palaculo train tamin lantisco para berer las cortes e el currales.
A mi esto de ir al monte tamin me tocou, pula manhana alhá se albardaban las mulas, metin se nas alforjas els arrochos e las subrecargas e el anchalmos para puner no culo delas mulas. Apuis elhes alha iban curtando las touças e las fedieiras, e arrancaban las charras. Fazin els feixes, e you guardaba las mulas e moraba cun carro de bulhacas e andaba po riba de las peinhas. You gustaba de ir para Mulino Cubo e pal Ulmos porque oubi bruar la ribeira tol di, e calcime del sol.
En mi casa ainda num se perdiu la moda enfeixar mas nun ye preciso ir tan longe por leinha, ai-lá onde quira. You pola parte que me toca num la deixarei perder. Mas se calhar perden-se muita leinha en montones que en timpos dari muito geito. Penso que las arribas son tan guapas porque se bestiran de todas las arbeles que en timpos eran bin arrebanhadas.
amadeu 21 de julho de 2006
Bengo eiqui apoiar la buona eideia de José Manuel (Francisco): la criaçon dun museu de las artes i oufícios. Para poder abançar cun un porjeto cumo esse hai que fazer muito trabalho purmeiro, i este sítio puode ser un bun modo de lo lebar palantre. Esso quier dezir que tenemos de ampeçar por custruir a modo un museu birtual i Pedro ten que poner l sítio al modo, cunsante el puoda.
Bamos a un eisemplo: la frauga. Esse ye un spácio que ten alredror oufícios cumo ferreiros i ferradores. Esse museu ten que se muntado nua frauga berdadeira, que hai que assegurar la compra anquanto inda las haba, i inda las hai mesmo al modo.
Cumo la frauga hai outros spácios que tenemos que purparar, i un de ls mais amportantes ye l molino, mas este queda para outra beç. Assi, l museu tenerie bários núcleos spalhados puls sítios ciertos, mais a la moda dun ecomuseu.
An mie oupenion, para muntar esses spácios hai que defenir muita cousa antes.
Deixo eiqui algues eideias subre la frauga, sperando que outras pessonas déian outras eideias:
- hai que fazer ua lista, l mais cumpleta possible, de ls nomes de ls ferreiros i ferradores de Sendin, fazer la stória dessas pessonas i, siempre que possible, arranjar l sou retrato;
- hai que localizar ls sítios de Sendin adonde hai i houbo fraugas i retratos deilhas i quien éran ls duonhos que alhá trabalhában;
- hai que fazer la lista cumpleta de ls aparatos que se fazien nas fraugas i arranjar eisemplares i/ou retratos de todo esso: de las barandas, machadas, reilhas, facas, sachos, çadas, etc, etc.
- hai que çcrebir al pormenor cumo ye que la frauga funcionaba, que partes tenie i que ferramientas ousában ls ferreiros i ferradores i tamien de ls porcessos de produçon;
- quales ls materiales que éran ousados na frauga i de adonde benien;
- hai que saber cumo era la paga de l ferreiro, an que tiempo funcionaba, etc.
- hai que ajuntar i screbir cuontas a la buolta de ls ferreiros de Sendin, que nun faltaran;
Otras cousas haberá, mas yá chega, por agora.
Apuis hai que cumprar ua frauga, quanto antes, i esso ye trabalho pa la Associaçon de Zambolbimiento de Sendin (ei Zé Chico!) ou la Junta (ei sr. Persidente, you sei que tenes muitas i buonas eideias subre esto!) ou ls dous. Todos ls antressados ténen que ajudar, que naide mos bai a dar nada i estas cousas cústan denheiro.
Cada pessona antressada ten que ir arranjando cousas ligadas a la frauga para poner alhá i ten que haber quien steia ancarregado de la muntaige i tener adonde ir ponendo las cousas, anquanto i nó.
Será buono buscar ajuda de quien sabe i pessonas cumo tiu Margalho, por eisemplo, son sabidas nestas cousas.
Serie buono que l que se screbir eiqui subre esto quede junto ne l mesmo sítio para apuis ser mais fácele aporbeitar las eideias de las pessonas.
Talbeç haba pessonas cun outras eideias, se calhar melhores, anton que las bote. Tenemos ye que ir cun calma i de modo ourganizado, que esto dá muito trabalho i ten que ser bien feito, senó ye melhor quedarmos quietos.
Antes que se me squeça: gusto mesmo de las mimórias que Fracisco eiqui bai deixando. Spero que cuntine i nun pare.
Amadeu
almendra 21 de julho de 2006
Esso ye mesmo l que you defendo i tengo ua spriencia subre museus. Quando se quijo fazer l museu de Miranda ua Drª. Luisa querie fazer assie i you que era encarregado del Projecto Cultural tamien. Era l museu abierto i por bárias partes de la cidade, mas la política stragou todo. L Drº. Mourinho querie ser l director i arranjou modos de fazer un a la moda antia. Tamien nun stá mal, mas las cousas amontuoran-se nua casa i algus ainda stán por studar.
Por esso nós tenemos que puxar todos pal mesmo lhado i fazer bários locales
que fágan parte de un percurso onde " in su sitio " las cousas nos quérgan dezir algu cousa de la bida i nó solo ls apetrexos arrumados.
La associacion depuis de la fiesta ampeça, solo tenemos que cumbinar bien cul presidente de la junta i bereadores, mas para ajudáren cumo sendineses.
Tamien nun se puode deixar ls partidos de fuora, mas tenemos que ser ls sendineses a dezir l que queremos. I tu, Amadeu, tenes muito a dar tamien na elaboracion dels statutos. Por esso bai abançando. Quando leio cousas desta até se me ínchen las cuostas de quelubrinas.
amadeu 21 de julho de 2006
Caro Zé Chico,
Inda bien que stamos d'acuordo.
Bou a fazer, anton, un porjeto de statutos de l'associaçon, para apuis séren çcutidos i aprobados.
Cumo onte deixei eiqui algues eideias subre l museu an giral, i an special subre la frauga, deixo a seguir inda mais uas eideias subre cumo you beio ls trabalhos de l fierro, pus cuido que ye amportante tenermos eideias i çcuti-las subre l que son las cousas i subre l que bálen.
Trabalhar l fierro nun era solo un oufício, era ua berdadeira arte.
Cumo oufício tenie muito que saber subre ls materiales, la tempra, l bun malhar, la solda, la forma, todo esso que daba rejisténcia i buona serbentie a las ferramientas i outras cousas que se fazien. Desse oufício salien sachos, sachas, çadas, picaretas, açadones, machadas, calagouças, fouces i foucins, reilhas, arcos de cubas, rodrados de carros, chabes, ferraduras, canelos, crabos i cabilhas, corrientes, puortas i portones, tejeiras, beletas, cunhas, guilhos, pinas, queixilhos, squadros, cumpassos, gatas, cangalhas, greilhas, tanazes, spetos, picos, etc., etc.
Mas un berdadeiro home de l fierro, era muita beç un artista. Nós sbarramos-mos todos ls dies cun obras de arte an fierro, mas uas bezes nun le damos amportança i outras bezes nien damos por eilhas. La arte amostra-se subretodo an cousas que muita beç parece que nun sírben para nada, a nun ser para quedar bien, para dar regalo als uolhos ou a quien passa: un pica puortas, por eisemplo, ye un caso de arte acabada de ls nuossos ferreiros, chenos de símbolos de la nuossa mitologie (cruzes, serpientes, etc.), i yá fúrun bien studados pul nuosso cunterránio José António Nobre na sue tese de mestrado; ua baranda cun sous fierros retrocidos, ancruzelhados, ourdenados, giométricos, cun barriga para fuora i para andrento, feita mesmo al modo para aquel sítio, a la própia para ua pessona se stribar a ber quien passa ou solo a pensar na bida, ou para colgar ua colcha quando passa la percion, ou para arrolhar cacos que han de poner la primabera cun mais froles, ajudando-mos a antender que la bida ye guapa i dura pouco, i nun s’acaba nua bida arrastrada de trabalho i deficuldades. Outra bezes era la rapaza que se resguardaba na baranda a namorar, tanta beç ambuolta an cordones de figos a secar.
Quien yá dou la buolta a Sendin a admirar las sues barandas? Quien sabe quando essas barandas fúrun feitas i quien fui l artista que eilhi deixou la sue assinatura? Hai que retratar todas las barandas de Sendin, saber adonde queda cada ua i, se possible, saber quien la fizo i quando fui feita.
Sendin staba cheno de pica puortas, subretodo nas sues portaladas. Estas l tiempo fui-las comendo i ls pica puortas fúrun zaparecendo sien darmos por esso i sien le darmos l balor que ténen. Ne l mais de ls sítios tenemos agora portaladas de fierro ou alumínio, mas sien pica puortas. Ajuntar ua coleçon de pica puortas ye cumo ajuntar un tesouro que ten muita cuonta para mos cuntar i que tamien mos ajuda a antender quien somos cumo pobo, que miedos poniemos a la puorta, que malzinas eilhi deixábamos contra esses miedos.
I nada desso son cousas de l passado, porque las obras de arte nun ténen tiempo. Se birmos ua pintura nun museu, eilha nun ye menos arte por ser antiga ou por l artista yá se haber morrido, bien al cuntrairo. L mesmo se passa culas obras de arte popular, que bálen por eilhas mesmas, cumo arte que son.
Se birmos las casas mais antigas de Sendin, eilhas nun ténen obras de arte dessas, rezon porque eilhas tamien reperséntan marcos na eiboluçon de l pobo i de las sues cundiçones de bida.
Quando pensamos an fraugas i an ferreiros tenemos de pensar an cousas cumo estas, senó déixan de tener sentido cultural i houmano. Ye por bias dessas cousas todas que chegamos melhor a las pessonas i las pessonas son la sola cousa que berdadeiramente antressa. Sien eilhas nada faç sentido. Esta ye un pensar que tenemos de tener, un sfuorço que tenemos de fazer para antender, ua cultura que tenemos que çclarar i amostrar qual ye l sou berdadeiro balor. Senó todo nun passará de sauidosismo que bai, ben i lougo s’apaga.
Amadeu
francisco outor 21 de julho de 2006
Bom, com sugestões e opiniões assim, não é preciso de mais palavras. Assino por baixo e concordo plenamente, e "atipairos" e material desse eu posso contribuir com algum....
2giga 21 de julho de 2006
Quedo cuntento de ber esto a mecher. Acho que assie se puode fazer algo de mui alta categorie, porque antes de l fazer se pensou i se scutou las opiniones de todos. Nun ye fazer por fazer, ye fazer apuis que habamos debatido todo i aclareado eideias sobre l que se quir. You peç que ya oubo l martilho de l ferreiro a picar, faç-me lembrar l'anfancia quando lougo por la manhana s'oubie l picar de l martilho de tiu Marchacan. Baliente home. Andabamos simpre alha anfilados i inda me lembra de muita cousa. Mas an pie de la casa de l pai d'amadeu i Carlos tamin habie ua frauga que me lembro d'antrar alha an garoto, mas peç que ya nun trabalhaba.
Mas por anmentar an sonido, Acrecinto aqui mais ua eideia a ajuntar a las de Amadeu. Porque nó simular un senairo de l trabalho de ua frauga i filmar? I apuis tamin se podie apurbeitar l sonido para poner an altfalantes nesse spacio de l museu zambulbiendo assie l ambiente al sitio. Las pessonas antraban a ber i oubi-se el sonido de fondo cumo que se stubiramos alha de berdade.
An relaçon al que falou l prossor Zé, tb stou totalmiente de acordo.
Cuido que bonda fazer no ua casa museu, mas si cada sitio un museu. Poner placas eidentficatibas a las puortas de ls sitios, bilingues claro, i na junta i na praça un mapa eidentficatibo desses spacios todos cun un roteiro bien cumo ls ruteiros pulas arribas de l douro para que assie l besitante puoda ber l que hai para ber. Tenie que haber un respunsable de la junta que faziesse la besita guiada a essas pessonas i ourganizasse juntouros de besitas para esses passeios.
Assie se chamarie muita giente a sendin, spalhar la publicidade puls jornais i tlibisones i ajuntando l anterceltico, l nome Sendin ampelaba a ser cada beç mais ligado a estas cousas.
Abraços
amadeu 26 de julho de 2006
Gustei de las eideias de Pedro subre la frauga, subretodo daqueilha de ls sonidos, que debien de ser recriados cun un frauga a trabalhar I todo. Parece que la stou a oubir, toda la música dun die de frauga…
Quando era garotico i andábamos de frauga, todo aqueilho me metie un cierto respeito, que era al mesmo tiempo ancantamiento. Todos ls garotos gustábamos le dar al fol i sentir l eifeito que l aire fazie ne l carbon a gaçpiar. Puxar l filo ou la corriente que albantaba l fol i deixá-lo caier de modo cierto i sien parar, era cumo tocar la campana, quando a meidie saliemos de la scuola a correr a ber quien chegaba purmeiro a tocar las Abemaries. Nun páres rapaç, alhá boziaba de beç an quando l ferreiro, a deixar-mos an bergonha de que nun íbamos a passar naquel eisame.
Todo aquel fierro an brasa, a botar chiçpas por todos ls lados, cul ferreiro a agarrá-lo bien fiirme an sues tanazes grandes, se fusse acumparado al einfierno que mos ansinában na doutrina, l mafarrico solo podie ser l fierro an brasa que l ferreiro adominaba i fazie del l que querie. L malhar alternadamente cumpassado, cul ferreiro siempre a bolber l fierro pa le dar la forma i fazer ls malhos acertáren adonde debie de ser, nun modo sereno i calhado de quemandar las ouparaçones, deixaba bien a la muostra que eilhi todo andaba al son de l mirar, de la boç i de ls géstios de l ferreiro, que adominaba to la frauga culs uolhos a reluzir nuns poçacos que yá habien ganhado la quelor de l cisco. A un cierto toque de l martielho na punta de la çafra, ls malhos parában i l ferreiro cuntinaba el solo, cun sou martielho de cabeça redonda, deixando-lo a repicar de beç an quando na çafra, cumo quien pensa ou ganha baláncio pa l que bai a fazer a seguir. Na fin, quando la pieça quedaba pronta, acachapuçába-la na P**a grande, que até l’auga ferbie i fazie aquel chiar, cumo l camboio quando ampeçaba a arrincar de la staçon, a botar oupor por todos ls lados. Hoije, quando abibo todo aquel cenairo, beio l ferreiro a salir de l meio de l fumo cumo um Bulcano que a cada die le roubaba l’arte de l fuogo als diuses, para criar todas aqueilhas cousas, mas sien que ls diuses del se podíran bingar, prendendo-lo a algue muntanha adonde un qualquiera alcaforro le benira a comer ls fígados que habien de tornar a crecer de nuite. La cundanaçon de l ferreiro nun era sequiera dina dun dius, yá que era armana a la de ls outros homes: l bibir çpindurado de ls alqueires a fin de trilha, ajuntados un a un an demingo de çcanso, i la cabeça cula frauga a martelhar sien paraige, mesmo de nuite.
Nada fazie cuncorrença a aqueilha harmonie de sonidos que s’ancruzelhában cumo ls strumientos dua ourquestra: l fol a fazer de baixo cuntino i cumo a dar-le fuolgo a todos ls sonidos, ls malhos a fazer saltar la melodie al mesmo tiempo que marcában l cumpasso, l martielho solico cun sous agudos nerbiosos cumo un solista, todo a arrematar nas çcargas de einergie que salien de l fierro a acachapuçar na pila, siempre cul ferreiro a quemandar, cun sues tanazes i sou martielho, cumo un berdadeiro mestre, nó de ourquestra sinfónica, mas de quarteto de cámara que la frauga era. A la fin dun cierto tiempo yá nien era perciso tocar esse quarteto, que el cuntinaba solico na nuossa cabeça, cumo se cada sonido quedasse un ressono sien fin.
L que mais me deixaba spantado ye cumo naide se queimaba culas chiçpas que l fierro botaba, sparbadas até cada squina de la frauga, cumo foguetes de lágrimas. L ferreiro i ls malhadores ousában a modo uns mandiles de piel, que le chamában ahones, ou cousa aparecida, i you siempre achei que éran ls mandiles que zbiában las chiçpas, cumo se fúran un anti-apegador. Pul meio deilhas mexien-se ferreiro i malhadores, cumo se stubíran siempre al loçque foçque, toda la luç se cuncentrando ne l fierro an brasa i ne l burmeilho de l carbon que angulhie to l aire que l fol monumental nun paraba de bufar.
Era grande un die de frauga…
francisco outor 26 de julho de 2006
El die qe se fazi essa música toda era preciso marcar cumo pal dautor. Normalmente tenin qe andar de frauga daus no mesmo die. No die de frauga havi que almurçar bien para dar al malho, e de forma cuncertada como diche Amadeu. Nesse die las ferramintas salin acrecentadas para mais un anho de labuta. Salin anton reilhas apuntadas, machadas, cambones pal rudados dels carros, el sachos e las guinchas las çadas e açadones barrenas e firros pal adubo, pichus e Ponteiros, cunhas. Aí uã fetografi que representa esso mui bien, en que tiu Jesé Ferreiro i num falo nu alcunha porqe el num gustaba, pegaba nas tanazes e asseguraba e num lembro agora nu que ye, e tiu Chico Peicheiro e tiu Anible Magel a dar al malho. Era uã musica de fazer anbeija als Metálica.