Mário Correia publicou mais um trabalho de recolha de músicas da tradição oral, feito pelo Pe. António Maria mourinho. Sendim ficou assim mais rico, pois é um trabalho que ficará sempre associado à nossa vila e ao nosso ilustre conterrâneo, de quem é o texto que abre a obra e que aqui vos deixamos, nas duas línguas que ele tão bem dignificou.
PORTUGUÊS
Somos mirandeses, filhos do campo, companheiros inseparáveis do Sol e das Estrelas, guardas perenes da ovelha e da vaca inocente. Cabouqueiros das escarpas, entre fraguedos e carrascais do Douro e das planuras de Leão; pastores solitários e alegres do planalto árido e frio, cantando loas ou rimances medievais ou tocando flautas bíblicas ou gaita de foles, atrás do rebanho; comemos pão que nossos braços semearam e bebemos vinho que nosso suor fez brotar da terra, puríssimo e fino; vestimos nosso burel e nosso linho. Adoramos a Deus. Somos cristãos. Olhamos o Céu e admiramos o corpo.
(António Maria Mourinho, Nuossa Alma i Nuossa Tierra, Imprensa Nacional, Lisboa, 1961, págs. V- VI)
MIRANDÉS
Somos mirandeses, filhos de l campo, cumpanheiros anseparables de l Sol i de las Streilhas, guardas perenes de la canhona i de la baca einocente. Cabouqueiros de las scarpas, antre fragaredos i carrascales de l Douro i de las planuras de Lion; pastores solitairos i alegres de l praino árido i friu, cantando loas ó rimances mediabales ó tocando fraitas bíblicas ó gaita de fuoles, atrás de l ganado; comemos pan que nuossos braços sembrórun i bebemos bino que nuosso sudor fizo brotar de la tierra, puríssemo i fino; bestimos nuosso burel i nuosso lino. Adoramos a Dius. Somos crestianos. Miramos l Cielo i admiramos l cuorpo.
(António Maria Mourinho, Nuossa Alma i Nuossa Tierra, Imprensa Nacional, Lisboa, 1961, págs. V- VI)