Estudo feito por nós quando ainda era possível ler a inscrição
* - Primeira carreira de letras:
A segunda letra, pelo contexto, deve ser S e paleograficamente concorda com o s minúsculo apresentado por Merino (1).
Nesta carreira, a décima letra, que lemos por N , apesar de na última perna ter um traço ao meio, que pode dar a indicação de E , mas N com traço na última perna também aparece no mesmo autor, pág. 426.
Adiante desta letra lemos Nos (s a) (S e) n (h o), mas dando entre parêntesis as letras suprimidas pelo lapicida, como indica o traço insculpido por cima, segundo geralmente se usava então.
*- Segunda carreira de letras. Lemos:
Mandou propor A (ntónio), ou outro nome começado por A , E (steves), ou outro nome começado por E , Juão, era em Jesus mil quinhentos 5 3, Pinilo .
A fórmula Jesus aparece assim: + Jesus , em documentos da época da inscrição, nomeadamente nessa de 1510 transcrita por Merino (2).
Na era, a mistura de algarismos com palavras por extenso é frequente em documentos da mesma época. Os nomes próprios, usados como apelido, são de todos os tempos e ainda hoje se encontram.
O nome próprio Pignolus, Piniolo, Piniolus, que deu Pinelo, aparece na documentação medieval (3).
Temos pois: Esta obra de Nossa Senhora da / Glória mandou propor A (ntónio?) E (steves?) Juão Era em Jesus de 1553 . Pinilo (nome do pintor?).
(1) MERINO — Arte de ler letras cursivas , p. 426.
(2) Ibidem, p. 312.
(3) Ver Documentos Medievais Portugueses , 1941, vol. III, p. 2, 58, 225, 243 e 467.