Eisercício 004. lhembrar TraduçonI
amadeu · 22 de outubre de 2007 · CURSO DE MIRANDÉS de l SAL – 2º ANHO
editada dia 22-10-2007 14:01:36 por: 2giga
Eisercício 004. TraduçonI
Tornamos a las traduçones, cuntinando cun Trindade Coelho, l scritor de Mogadouro. Esta cuonta ye mui coincida de todo mundo i queda mui bien an mirandés. L que bos aperpongo ye la traduçon cumpleta de la cuonta. Bamos a fazer esso nun prázio suberciente, até la fin de l més, yá que estas traduçones ténen que ser bistas cun calma i rebistas bárias bezes i an tiempos defrentes, siempre cun un grande cuidado para quedar l melhor possible.
Zde agora an delantre, a cada més eiremos fazendo ua traduçon dua pequeinha obra. Por esso, esta ye la TraduçonI. Pul meio haberá tiempo para irmos fazendo eisercícios mais diretamente liados cun questiones gramaticales.
Stou siempre al buosso çponer para tirar dúbedas de bocabulairo ou outras.
Prázio an que bai a salir eiqui la mie traduçon: 31 de Outubre.
Parábola dos sete vimes
Era uma vez um pai que tinha sete filhos. Quando estava para morrer, chamou-os todos sete e disse-lhes assim:
- Filhos, já sei que não posso demorar muito; mas antes de morrer quero que cada um de vós me vá buscar um vime seco e mo traga aqui.
- Eu também? - perguntou o mais pequeno, que só tinha quatro anos. O mais velho tinha vinte e cinco e era um rapaz muito reforçado e o mais valente da freguesia.
- Tu também - respondeu o pai ao mais pequeno.
Saíram os sete filhos; e daí a pouco tornaram a voltar, trazendo cada um o seu vime seco.
O pai pegou no vime que trouxe o filho mais velho e entregou-o ao mais novinho, dizendo-lhe:
- Parte esse vime.
O pequeno partiu o vime e não lhe custou nada a partir.
Depois, o pai entregou outro ao mesmo filho mais novo e disse-lhe:
- Agora parte também esse.
O pequeno partiu-o; e partiu, um a um, todos os outros, que o pai lhe foi entregando, e não lhe custou anda parti-los todos. Partido o último, o pai disse outra vez aos filhos:
- Agora ide por outro vime e trazei-mo.
Os filhos tornaram a sair, e daí a pouco estavam outra vez ao pé do pai, cada um com seu vime.
- Agora dai-mos cá - disse o pai.
E dos vimes todos fez um feixe, atando-os com um vincelho. E, voltando-se para o filho mais velho, disse-lhe assim:
- Toma este feixe! Parte-o!
O filho empregou quanta força tinha, mas não foi capaz de partir o feixe.
- Não podes? - perguntou ele ao filho.
- Não, meu pai, não posso.
- E algum de voz é capaz de o partir? Experimentai.
Não foi nenhum capaz de o partir, nem dois juntos, nem três, nem todos juntos.
O pai disse-lhes então:
- Meus filhos, o mais pequenino de vós partiu sem lhe custar nada todos os vimes, enquanto os partiu um por um; e o mais velho de vós não pode parti-los todos juntos; nem vós, todos juntos, fostes capazes de partir o feixe. Pois bem, lembrai-vos disto e do que vos vou dizer: enquanto vós estiverdes todos unidos como irmãos que sois, ninguém zombará de vós, nem vos fará mal, ou vencerá. Mas logo que vos separeis, ou reine entre vós a desunião, facilmente sereis vencidos.
Acabou de dizer isto e morreu - e os filhos foram muito felizes porque viveram sempre em boa irmandade ajudando-se sempre uns aos outros; e como não houve forças que os desunissem, também nunca houve forças que os vencessem.
Trindade Coelho
15 de Outubro de 2007
Amadeu Ferreira