Podereis perguntar, mas onde está o romanceiro sendinês, onde está isso escrito? Aqui vai ficar um pouco dele e outros escreverão outro pouco, mas nunca ninguém escreverá tudo. O romanceiro está na memória do povo e perdura para além das pessoas, porque fica nos genes das gerações. Não é por acaso que as pessoas amam a sua terra, as suas raízes pessoais. Não é por acaso que as pessoas nascem com algo dos seus antepassados. É a informação, que se vai gravando ao longo dos anos, que se transmite.
Uma das canções que se vem transmitindo de geração em geração é a Dona Filomena, que em Sendim se canta em português, mas a versão já foi recolhida em 1938, em Malhadas e foi em mirandês. Em Sendim foi também cantada em sendinês, por isso é esta versão que vos deixamos aqui, ainda que com a ortografia de acordo com a convenção da língua mirandesa, pois os teclados não facilitam a escrita com a fonética sendinesa, apenas mantivemos tchegou e tchabes .
recolheu - Serrano Baptista
Stando Dona Fluménia
Sentadica an sou balcon,
Passou alhi un soldado,
Pediu-le cumbersaçon.
- Agora, agora, soldado
Agora q’ye oucasion;
Miu marido fui a caça,
Pa ls montes d’Aragon.
Se tu quieres q’acá nun buolba.
Bota-le ua maldiçon:
Q’els cuorbos le tíren ls uolhos,
Las abes l coraçon.
Tando naqueilhas palabras,
Sou marido alhi tchegou:
- Tu que dizes à Fluménia,
Tu que dizes branca flor?
Tu stás bária de ls sentidos,
Ó tenes outros amores?
- Nun stou bária d’els sentidos
Nien tengo outros amores,
Solo se perdírun las tchabes
D’els mais altos corredores.