UM TURISTA
Em
Fonte d'Aldeia consegui avistar junto á estrada nacional três burros
mirandeses, uma asnos. Corre algum risco
de extinção. Têm-se visto umas actividades recentes que tentam salvar esta
subespécie de cair num passado irrecuperável. Uma delas é levada em braços por
gente como os Galandum Galundaina, uma enorme banda que canta a música
tradicional de Miranda e arredores, organizadora de um festival que é também
uma caminhada - chama-se, em mirandês, "L burro i l gueiteiro" -, e
que percorre caminhos campestres das terras do planalto durante quatro dias.
Estou há três anos a tentar combinar fazer estes trilhos. Este ano foi quase,
por uma unha negra. Não passa do próximo.
Ando
finalmente por burgos onde se diz tenemos em vez de temos. É a língua
mirandesa, oficializada há não muito tempo, essa fatia que o Reino de Leão
deixou dentro do nosso país e que não de dissolveu nos séculos que passaram
desde aí. E pela primeira vez abdico da minha língua-mãe para me aventurar numa
descrição fora das minhas capacidades. Desculpem-me se falhar nalguma palavra,
e irei, com certeza, falhar.
Miranda
i l sou cunceilho bibe sin squecer l sou lado leonés, de l'outra borda de l
riu. Ye ua tierra armana, que la frunteira separou an política mas nun
cunseguiu an cultura. Qu'estas tierras nunca larguen la sue mimória i la cunten
a mimórias feturas. Que ls mius nietos ouçan las buossas gaitas. Que Pertual
screba la buossa léngua. I que l praino dure para siempre. Buoltarei.
Ricardo
Brás Frade