Olá a todos os sendineses, e ao amigo Gabilan del Rechano. Peço desculpas se eu não estou ser claro, mas deixem-me desde já dizer que eu não tenho nada contra Sendim, nem contra os sendineses, nem sequer com a "língua sendinesa" (que, para mim, não é língua, mas apenas a maneira sendinesa de falar mirandês). E também penso que o sendinês "não morrerá jamais" enquanto existirem sendineses. Também quero realçar que tenho o maior respeito por todas as culturas, e é por isso que tento me inteirar sobre tudo o que diz respeito à cultura de Sendim. Nomeadamente, posso dizer que comprei o livro "La Proua de Ser Sendinês" (tendo, para isso, de me deslocar pessoalmente à casa do autor, onde pude participar numa agradável troca de ideias com a mãe e algumas vizinhas do Emílio), e também li o "Manifesto da Língua Sendinesa", do Sr. Amadeu Ferreira. A ortografia usada nestes livros, que tenta transcrever a maneira como os sendineses falam, convenceu-me (ATENÇÃO: isto é apenas a minha opinião, totalmente sujeita à discussão e à alteração, sem aviso prévio! ;-) ) de que a chamada língua sendinesa é apenas a língua mirandesa falada "a la mode de la giênte de Sendin". Isto é a minha opinião, nada mais do que isso. Ora, essa posição das gentes de Sendim (uma posição muito válida e respeitável) não encontrava apoio entre as demais pessoas que estudam e ajudaram a desenvolver a "Convenção Ortográfica da Língua Mirandesa". Contudo, depois da uniformidade linguística conseguida na reunião de Lisboa, deixou de fazer sentido falar na língua sendinesa, mas apenas na língua mirandesa. Obviamente, isso não impede que os sendineses continuem a falar "a la sue mode". Agora, se utilizam a convenção ortográfica mirandesa para escrever, não podem dizer que estão a escrever em sendinês. Felizmente, vivemos num páis democrático, o que permite que qualquer pessoa possa escrever como achar melhor. Assim, se alguém quiser escrever em sendinês, esse alguém é livre de assim proceder. Agora, este é o ponto da discórdia, penso eu de quê, não deve dizer (ou melhor, dizer, pode, o que não poderá dizer é que esta forma de escrever seja a forma maioritariamente considerada correcta de escrever mirandês) que está a escrever em mirandês/sendinês, porque essa linguagem ESCRITA não existe. E não existe porque foram os próprios sendineses que chegaram a acordo para aderirem à forma considerada correcta de escrever mirandês. Agora, tudo isso serve também para dizer que os sendineses vão continuar a falar como actualmente falam, mas deverão escrever segundo as normas ortográfica em vigor. Como os meus amigos sendineses com certeza sabem, isso acontece em qualquer língua. Por exemplo, a frase portuguesa "Não gosto desta cidade." Como um alentejano leria isto? Talvez "Ná gosto desta cidade". E um beirão? "Não gochto dechta xidade". E um brasileiro? "Não gosto desta cidadchí". Mas eles escreveriam esta frase da mesma maneira: "Não gosto desta cidade", segundo as normas ortográficas portuguesas.
Amigos sendineses, de qualquer maneira, respeito a vossa ideia de defenderdes a vossa cultura, e estou aberto a continuarmos a discussão sobre esse tema.
Quanto ao amigo Gabilan del Rechano, não percebi porque é que diz que eu tanto defendo Picote. Penso que defendo Picote da mesma maneira que um sendinês defende Sendim, mas isso não quer dizer que eu faça comparações entre um e outro. Aliás, sinceramente não me lembro se, nas minhas mensagens neste livro de visitas, alguma vez vim aqui defender Picote em relação a algum problema com alguém de Sendim. Mas penso que nas minhas mensagens sobre este tema da língua sendinesa, não defendi Picote, nem Sendim: apenas emiti a minha opinião sobre um determinado assunto.
Um abraço a todos os amigos sendineses! Bem hajam! :-)