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1933

1933 – Porjeto de abastecimiento de auga a Sendin

Amadeu Ferreira · screbido a 25/01/2007

1933 – Porjeto de abastecimiento de auga a Sendin

1. L decumiento eiqui publicado la semana atrasada dezie que la mala situacion de salude pública que se bibie an Sendin, an 1933, era por bias de l’auga que se bubie i de las cundiçones de limpeza de l’aldé, subretudo por nun tener sgotos. Hoije bamos a apersentar l relatório feito pul dr. Manuel de Vasconcelos subre l porjeto de abstecimiento de auga a Sendin, ancomendado pula Cámara. La cuncretizaçon desse porjeto premitiu poner las purmeiras bicas, ua na Praça i outra a la punta de baixo de la rue de Santo Cristo, i que quedórun coincidas cumo Bica de Riba ou de l Sagrado i Bica de Baixo. Fui tamien desse porjeto que saliu la custruçon de l Chafariç i ls Labadeiros de la Calçada.

L decumiento ye mui amportante para coincer l que se passou an Sendin por essa altura, mas nun percisa, por agora, de grandes comentairos. Por esso, eiqui queda, tal i qual cumo fui publicado.

2. Relatório de l dr. Manuel de Vasconcelos, apersentado an 1933 (cuntinaçon):

«Quanto ao projecto apresentado pela Câmara Municipal de Miranda do Douro para abastecer de água Sendim, oferece-se-me dizer o seguinte:

a) Recorre-se a três mananciais: o da Raposa, o de Fornos e o de Vale de S. Pedro. Os dois primeiros dão ponto para um reservatório a colocar em parte alta da povoação e o terceiro aproveitar-se-á para um chafariz e lavadouro a 300 metros do lugar do talvegue;

b) Não há conhecimento exacto do caudal de cada um dêstes mananciais. Na vertente da Raposa há uns charcos, de onde correm uns fios de água sem importância. São simplesmente afloramentos, sem trabalhos de captação.

A bacia de alimentação não é extensa; não há arborização, o terreno é de cultura, de natureza argilosa, não muito permeável. O autor do projecto calcula que, feita a captação, se deve obter um caudal de 0,25 litros por segundo.

Maior é a bacia de alimentação da vertente de Fornos e ficou-me a impressão de ser mais rica de águas que a anterior. Não há captações; há uns poços de águas azuladas e cá ao fundo a água brota em vários sítios. No seu estudo atribue-lhe o engenheiro um caudal de 0,25 litros por segundo.

De todas a mais abundante é a de Vale de S. Pedro, destinada a um chafariz e lavadouro e cuja cota não permite levá-la ao depósito senão por elevação.

Foi para estas águas que primeiro se voltaram as atenções e onde já se gastaram muitos escudos, na quási totalidade, inùtilmente. Figura no projecto com o caudal de 0,3 litros por segundo;

c) As águas dos três mananciais são finas quanto à qualidade, hiposalinas, e equilibradas quanto à concentração hidrotérmica (PH-7,2). Intencionalmente se não fez a análise bacteriológica, que neste caso nenhum valor teria por se tratar de água colhida em charcos ou poços superficiais de fácil poluição. Deve porém fazer-se quando estiver pronta a captação.

Não é de presumir que estejam inquinadas por se encontrarem longe de habitações e melhor ficarão depois de captadas e protegidas;

d) A água pròpriamente destinada a bebida e usos domésticos é a que provém dos mananciais da Raposa e de Fornos, a distribuir na povoação em dois ou três chafarizes.

Obtido o caudal previsto no projecto, de 0,5 litros por segundo, vem a dar 43.200 litros por dia, isto é, 22 litros por habitante e por dia.

A água do Vale de S. Pedro destina-se principalmente a bebida do gado, a lavadouro e, subsidiàriamente, a abastecimento doméstico. O caudal previsto é de 0,3 litros por segundo, o que dá 25:920 litros por dia, isto é, 17 litros por habitante e por dia.

O caudal da fonte actual não é de ter em consideração, nem se deve aproveitar para bebida. Poder-se-á ligar ao lavadouro se valer a pena. Como acima disse, o seu caudal é de 3 litros por minuto, isto é, 4:320 litros por dia.

Tudo somado vem a dar 73:440 litros por dia, isto é, números redondos, 48 litros por habitante e por dia para a totalidade das necessidades da população. Passam a ter mais do dôbro da água que tinha Bragança em 1927, com o quádruplo da população.

Goza Sendim da fama de terra fértil de chão e rica de gados. Mas a esta riqueza ou só à fama dela não corresponde o movimento demográfico. Em 1768 contava com 270 fogos, 300 um século depois, 373 fogos e 1:500 habitantes em 1910 e hoje regula pela mesma. Terra de difícil acesso, onde só agora chegou a primeira estrada de rodagem, de clima rude e áspero, frigidíssima de inverno, tropical de verão, não é de presumir que a sua população tenha rápido crescimento. Terra de velhas usanças, onde também a higiene vai entrar pela primeira vez sob a forma de água canalizada, devagar também se manifestarão as necessidades de higiene, de asseio e de confôrto, lutando com os preconceitos tradicionais.

Por isso, embora preconize sempre uma larga capitação de água potável, o mais importante factor de saneamento, eu creio que, atentas as razões já apontadas, o caudal previsto neste caso deverá ser suficiente para um largo período.

Em conclusão: julgo o projecto de abastecimento de água da povoação de Sendim, do concelho de Miranda do Douro, elaborado pelo Sr. Engenheiro Pais Clemente, merecedor de aprovação, devendo, tanto quanto possível, beneficiar-se a fonte actual. Outrossim se deve comunicar à Câmara Municipal de Miranda do Douro que, de acôrdo com o que deixo exposto, se protejam e melhorem as fontes de mergulho concelhias, e nomeadamente a de Ifanes, povoação onde neste momento grassa a febre tifóide».

in Ministério do Interior, Direcção Geral de Saúde (1935) Notícia dos Inquéritos de higiene rural e sôbre águas e esgotos. Vol. II. Águas e Esgotos. Imprensa Nacional de Lisboa, pp. 78-79.

3. L mesmo relatório diç l seguinte subre l restro de l cunceilho, na mesma altura:

«Sôbre o abastecimento de águas às povoações do concelho de Miranda do Douro o vogal da Junta Sanitária de Águas, Dr. Manuel de Vasconcelos, apresentou a seguinte exposição:

«Na informação que dei quando da visita a Miranda do Douro, a propósito do abstecimento de águas a Sendim, dizia que era necessário olhar pelo abastecimento das povoações do concelho, e nomeadamente Ifanes, onde então grasava uma epidemia de febre tifóide.

Vê-se que as autoridades sanitárias e administrativas locais se empenharam em melhorar êste lamentável estado de cousas, organizando já os respectivos projectos. Pelo ofício do delegado de saúde os projectos foram enviados à Repartição dos Melhoramentos Rurais.

Julgo pois que, como se pede, a Junta Sanitária de Águas interceda junto desta Repartição para que se dê rápido andamento à pretensão, a bem da súde pública.

Aproveito a oportunidade para lembrar que se devia comunicar a essa Repartição a conveniência em ouvir a Junta Sanitária de Águas, mesmo para o abstecimento de águas e saneamento de pequenas aglomerações rurais.

Do inquérito de águas e esgotos se apura que é limitado o número de aglomerados populacionais rurais de mais de 1:000 habitantes e que no norte, onde a população é muito densa, são relativamente raros»

in ob. cit. p. 79

4. Cumo yá dixe eiqui atrasado, hai inda muita giente que bibiu estes acuntecimientos. Por esso, ye amportante arrecolher teçtemunhos ourales subre cumo las cousas se passórun i l’eideia que las pessonas ténen. Tamien la mimória oural ye amportante para fazer la stória.

25 de Janeiro de 2007

Amadeu Ferreira

Abiso:

Este testo, cunsante las regras de la Cumbençon Ourtográfica de la Lhéngua Mirandesa i de la sue Purmeira Adenda, stá solo screbido cun L- an percípio de palabra, a la moda de l mirandés de Sendin.

Ação concluída.
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Para screbires ne l sítio, diç-mos quien sós. Ye ua beç — depuis quedas antrado.

ó