SENDIM EM LINHA SENDIN

Hoije · Arquivo de 2010

SARAMAGO

almendra 21/06/2010 5 min de leitura

Tamien nós queremos prestar eiqui la nuossa houmenage a Saramago, cumo scritor de la léngua pertuesa que soubo lebar mui loinje na cunsideraçon de todo l mundo. Nun ye tiempo de falar de la sue obra, que solo agora bai a ser debidamente studada por quien sabe, muito menos de l home, que yá deixou de ser i que cumo home que era muitas birtudes tenie, mas defeitos tamien, agora ye tiempo de guardar la sue mimória.

Por muito que alguns quérgan scunder ye tiempo de dezir, que nun passou solo por Sendin a comer la “posta”, bino tamien pula mano de ua mulhier, que hai que lembrar hoije tamien eiqui, la scritora Isabel da Nóbrega, que inda hai pouco tiempo dou ua antrebista que l jornal Sol publicou die 17.01.2009 i de que a seguir bos deixamos ua parte.

Ls dous stubírun a comer la “posta”, mas fúrun bejitar-nos a la scuola i a cuntatar culs alunos i a béren fazer l jornal “ O Miúdo ”, de la nuossa scuola, l que habie feito cun que fussemos a un porgrama subre l ansino al canal 2 de la RTP , que nesse tiempo inda nun chegaba acá, mas yá sabíen de la nuossa scuola. Fui la einobaçon ne l ansino an Pertual, un jornal feito puls alunos de la primária. Saramago inda nun era prémio Nobel, mas yá screbie bien i biu tamien bersos an mirandés, na scuola de Sendin. Sabemos bien quien fui, cumo bibie nesse tiempo i l que Isabel da Nóbrega representou na sue bida.

La scula deberie poner ua placa a dezir: Eiqui, Saramago quijo star culs ninos sendineses .

Para ls anteressados ende queda parte de la antrebista a Isabel da Nóbrega:

(…)

Sempre houve em si aquele olho clínico para ver as coisas boas nascerem. Foi o que aconteceu, por exemplo, com José Saramago…

Que estava na (editora) Cor e fazia as badanas, que eu achava muito bem escritas. Quando um dia fui à Cor e soube que era aquele rapaz que as fazia, fiquei com muita consideração. Era um escritor em potência. Em 1968, eu estava n, A Capital e, no Verão, começou a fazer-se um suplemento todas as semanas. Passaram por lá várias pessoas e aquilo não estava acorrer bem. Fui falar com o Mário Neves, um dos directores: “Nas traseiras deste prédio aqui atrás, há um rapaz que talvez lhe possa fazer isso”. E então o rapaz José foi lá e fez tudo lindamente. Aos poucos começou a haver um certo encantamento entre nós… Um dia, disse-lhe: “Agora você vai escrever crónicas”, “ Não sei escrever crónicas”, “Ai sabe, sabe, eu sei que sabe”. Ele começou a escrever, propôs-se ao Mário Neves uma crónica por semana, depois o Jornal do Fundão pediu para as repetir e foi uma bola de neve.

Ou seja, viu que havia Saramago antes de haver Saramago.

Ah, vi, isso vi… Quer ele queira, quer não, estou na vida dele assim. Eu trabalhava numa revista com um nome horroroso – Linda – e um dia tive de ir a Mafra. Tinha o meu carrinho, um Volkswagen, e convidei o Zé. “Não conheces o convento de Mafra, é uma coisa para ti. Vem comigo, vou tratar do que tenho a tratar e tu ficas no convento”. Não queria ir, não queria, mas foi. Quando nos reencontramos, disse-me: “ Até gostava de por isto num romance”, “Vês? Eu sabia que ias gostar”. Fui eu que o levei a Mafra, isso é um contentamento que tenho. Quanto à Blimunda (protagonista do Memorial do Convento) : ele escreveu o livro, eu disse que não queria lê-lo senão no fim e, quando comecei a ler, o que é que vi? O nome (Baltasar) Sete-Sois e ela era Mariana Amália. E eu: “Mariana Amália?! Mas ele endoideceu! Não há direito de pôr Mariana Amália na figura desta mulher”. “Chamei-o: “Está lindo, está tudo certo menos uma coisa que tens que emendar – Mariana Amália. Tem paciência, quando foste à biblioteca e recolheste nomes da época, hás-de ter encontrado um que se possa ver”. Ele voltou para a secretária – isto para aí à uma da manhã -, e daí a um bocado apareceu e começou a dizer nomes. Ouvi “Blimunda” pedi-lhe que voltasse atrás e, quando repetiu o nome: “Ó Zé, parece impossível! Como é que tinhas este nome na tua lista e não viste que aquela mulher é exactamente Blimunda?”. Pegou no manuscrito, que era enorme, e foi emendar tudo, tirar Mariana Amália e pôr Blimunda. É engraçado, porque ele chamava-me sempre “bruxinha”.

Por causa dos olhos, não?

Como ele achava que eu via muito bem as pessoas por dentro, lá está esse jogo. E isso, quer ele queira, quer não…

Porque é que diz “quer ele queira, quer não”? É uma referência ao facto de Saramago ter tirado o seu nome das dedicatórias nos livros?

Pois, ele tomou outra atitude que não era preciso tomar…Desapareceram aquelas dedicatórias lindíssimas – quem tiver a primeira edição vê.

Falamos com ele e fizemos-lhe essa pergunta. A resposta vem precisamente no mesmo sentido: as dedicatórias permanecem nas edições correspondentes ao tempo em que os livros foram escritos.

No nosso tempo…

Foram quase 20 anos.

Rasa os 20 anos.

Quando é que se deixou encantar por ele?

Acho que naquela altura em que estávamos n’ A Capital . Ele tinha sempre um olhar de quem estava a sofrer. Era um olhar que seduzia (os homens sabem muita coisa e as mulheres ficam fraquinhas diante daquele olhar triste). Em inglês até há uma expressão muito engraçada para esse olhar: pleading eyes.

(…)

Sol – Tabu 17.01.2009

Ação concluída.
Antrar

Para screbires ne l sítio, diç-mos quien sós. Ye ua beç — depuis quedas antrado.

ó