
O burro mirandês tornou-se no primeiro animal da sua espécie em Portugal a fazer parte do grupo de raças asininas protegidas pela União Europeia (UE), uma decisão que vai ajudar os criadores portugueses a afastarem a ameaça de extinção deste animal.
Noutros países da UE já existem várias raças asininas entre as chamadas raças autóctones, reconhecidas e protegidas pelas suas especificidades. Mas o burro só conseguiu entrar para o catálogo português há um ano.
O reconhecimento resultou do trabalho iniciado há quatro anos pela engenheira zootécnica Luísa Samões, que dedicou o seu primeiro trabalho a provar a existência no Planalto Mirandês de um asinino diferente de todos os outros.
O seu trabalho, apoiado pelo Parque Natural do Douro Internacional, fundamentou o processo que culminou com o reconhecimento da raça, em Maio de 2002.
Há dois anos foi criada a Associação para o Estudo e Protecção do Gado Asinino para desenvolver o trabalho exigido pelo estatuto de raça autóctone e que passa pela inscrição dos animais no livro genealógico e elaboração do plano de melhoramento da raça.
Este trabalho está a ser desenvolvido por um grupo de jovens, liderado pelo veterinário Miguel Nóvoa, secretário-técnico da associação. O principal objectivo é aumentar o efectivo da raça, que só será quantificado depois de feita a inscrição no livro genealógico.
Os responsáveis por este trabalho sabem, no entanto, que a região é um reduto do gado asinino e que mais de um terço do efectivo nacional de burros, que pouco ultrapassa os quatro mil exemplares, está concentrado nesta parte do Nordeste Transmontano.
A mecanização da agricultura e o automóvel deixaram um papel secundário ao animal outrora indispensável na lavoura, para lavrar ou puxar a carroça.
Além dos subsídios da UE, os criadores podem vir a ter outra fonte de receita, se iniciativas como os passeios de burro tiverem continuidade.

